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Gestor imobiliário: o que faz, quanto ganha e como chegar ao cargo

07 Ago 2026 ~22 min de leitura
Gestor imobiliário: o que faz, quanto ganha e como chegar ao cargo

Descrição real do cargo de gestor imobiliário: rotina, metas, distribuição de leads, faixa salarial com fonte, CRECI e o caminho até o cargo.

Gestor imobiliário é o profissional que responde pelo resultado comercial de uma imobiliária: define as metas, distribui os leads, cobra o follow-up da equipe de corretores e presta contas ao dono. Ele não vende no lugar do corretor, ele faz o time inteiro vender.

O cargo aparece com vários nomes na mesma cadeira: gestor de imobiliária, gerente comercial, coordenador de equipe, gerente de vendas e locação. A rotina muda pouco de um título para o outro.

O que muda de verdade é o tamanho da operação. Numa imobiliária de bairro com quatro corretores, o gestor também capta imóvel e fecha negócio. Numa rede com trinta corretores e três filiais, o dia dele é feito de número, escala e gente.

Este guia mostra o que o gestor imobiliário faz na prática, quanto ganha (com faixa e fonte consultada em agosto de 2026), se o cargo exige CRECI, o caminho comum até chegar lá e as cinco dores que aparecem em qualquer imobiliária.

O que faz um gestor imobiliário

A descrição de vaga costuma resumir tudo em "gerenciar a equipe de vendas e locação". É verdade e é vago. O trabalho real se divide em três frentes que se cobram entre si o tempo todo.

Pessoas

Contratar, treinar, acompanhar, corrigir e, quando não dá, desligar. É a frente que consome mais tempo e a que ninguém coloca na descrição do cargo.

Processo

Definir como o lead entra, quem atende, em quanto tempo, o que fica registrado e o que acontece quando o cliente some. Sem regra escrita, cada corretor inventa a sua.

Número

Meta por corretor, previsão de fechamento, custo por lead, conversão de visita em proposta e o relatório que o dono lê na segunda-feira.

Quando uma das três frentes falha, as outras duas param de funcionar sozinhas. Equipe boa com processo ruim entrega resultado irregular. Processo bom com equipe desmotivada vira planilha bonita e caixa vazio.

Abaixo, o que cada frente vira na agenda de uma semana comum.

Metas e comissionamento por corretor

A meta de um gestor nunca é só o número da imobiliária. Ele precisa quebrar a meta do mês em metas individuais que façam sentido para quem tem seis meses de casa e para quem tem seis anos.

Meta igual para todo mundo é o erro mais comum. O corretor novo desanima na segunda semana e o corretor sênior bate em quinze dias e desacelera. O ajuste costuma ser por faixa de senioridade, por carteira e por tipo de produto (venda, locação, lançamento).

Junto vem a parte que gera mais atrito na imobiliária inteira: a conferência do que cada um recebe. O gestor é quem explica a divisão quando dois corretores participaram do mesmo negócio, quem confere o percentual do captador e quem segura a conversa difícil quando a conta não bate.

Por isso, dominar as regras de comissão de corretor de imóveis faz parte do cargo tanto quanto saber vender: um erro de cálculo repetido três meses seguidos destrói a confiança da equipe mais rápido do que um mês ruim de vendas.

Gestão de equipe de corretores: contratar, treinar e desligar

Time de corretor gira. Parte do giro é natural (nem todo mundo aguenta renda variável), parte é sinal de que algo está errado no processo de entrada.

O gestor conduz o funil de contratação: onde anuncia a vaga, como entrevista, o que testa antes de contratar e quanto tempo dá para o novo corretor mostrar resultado. Prazo curto demais queima gente boa, prazo longo demais custa lead e paciência do time.

O treinamento do corretor novo é o ponto que mais separa imobiliária organizada de imobiliária improvisada. Onde existe um roteiro (produto, região, sistema, script de atendimento, acompanhamento nas primeiras visitas), o novato produz mais cedo.

E existe a parte que ninguém gosta: desligar. Corretor que não registra atendimento, some do plantão ou trata mal o cliente contamina o resto do time. Adiar essa conversa é uma decisão, e ela sempre tem custo.

Distribuição de leads e escala de plantão

Lead é o insumo mais caro de uma imobiliária. Quem decide para onde ele vai decide, na prática, quem vende no mês seguinte.

As regras mais usadas são poucas: rodízio simples (roleta), rodízio por especialidade (quem atende locação, quem atende alto padrão, quem atende lançamento), distribuição por região e distribuição por desempenho. Cada uma tem um efeito colateral conhecido.

  • Rodízio simples: justo na aparência, mas manda lead de alto padrão para quem nunca vendeu alto padrão.
  • Por especialidade: aumenta a conversão e cria dependência de duas ou três pessoas.
  • Por desempenho: premia quem produz e afunda o corretor novo, que precisa justamente de volume para aprender.
  • Por região: ótimo para quem conhece o bairro, ruim quando o anúncio traz cliente de fora da área.

Somada a isso vem a escala de plantão: fim de semana, feriado, horário de portal e quem responde o WhatsApp às 21h. A escala é onde a justiça percebida da equipe se decide, porque plantão de sábado à tarde no fim do mês costuma valer mais que uma semana inteira de terça.

Indicadores e reunião de pipeline

Todo gestor acompanha algum número. A diferença está em acompanhar o número que ainda dá para mudar.

Venda fechada é resultado de decisões tomadas trinta ou sessenta dias atrás. Quando ela aparece no relatório, não há mais nada a fazer com aquele mês.

Os indicadores que permitem agir são os do meio do caminho: tempo até a primeira resposta, atendimentos por corretor, visitas agendadas, visitas realizadas, propostas emitidas e a taxa de queda entre uma etapa e outra.

É aí que a reunião semanal de pipeline entra. Ela não serve para pedir esforço, serve para olhar negócio por negócio e responder três perguntas: qual é o próximo passo, com data, e o que trava.

Um funil de vendas imobiliário bem desenhado é o que transforma essa reunião em previsão confiável, porque cada etapa passa a ter um critério objetivo de entrada e de saída, em vez de depender do otimismo de quem está contando a história.

Gestor imobiliário conduzindo a reunião semanal de pipeline com a equipe de corretores
A reunião de pipeline olha negócio por negócio: próximo passo, data e o que está travando.

Gestor, corretor e dono: quem faz o quê

Gestor imobiliário e corretor de imóveis não são a mesma função. Boa parte dos gestores tem CRECI e veio da corretagem, mas o cargo é outro: o corretor responde pela própria carteira e o gestor responde pelo resultado do time inteiro. A confusão mais comum em imobiliária pequena é achar que gestor é "o corretor que vende mais".

A tabela abaixo separa as responsabilidades que costumam se misturar no dia a dia.

Responsabilidade Gestor Corretor Dono
Meta do mês Quebra a meta da empresa em meta por corretor e cobra Bate a meta individual Define a meta da empresa e o quanto quer crescer
Atendimento ao cliente final Acompanha a qualidade e entra para destravar negócio Atende, visita, negocia e fecha Fica fora do dia a dia e entra quando o caso vira reputação da marca
Distribuição de leads Define a regra, ajusta e arbitra conflito Recebe e trabalha o que chega Aprova o investimento que gera o lead
Comissionamento Calcula, confere e explica a divisão Recebe e questiona quando não bate Define os percentuais e o plano de carreira
Contratação e desligamento Recruta, entrevista e decide no dia a dia Indica candidato e apadrinha o novato Aprova o tamanho do quadro e o custo
Treinamento do corretor novo Monta o roteiro e acompanha as primeiras semanas Ensina na prática, no acompanhamento de visita Paga a conta do tempo de rampa
Desconto e alçada de negociação Analisa e autoriza dentro do limite Negocia dentro da alçada que recebeu Dá a palavra final fora da alçada
Relatório de resultado Monta, interpreta e apresenta Alimenta com o registro do atendimento Lê e decide onde investir
Investimento em portal e anúncio Aponta o que traz retorno e o que não traz Pede mais lead Assina o contrato e assume o custo fixo
Risco do negócio (folha, aluguel, imposto) Não responde Não responde Responde com o próprio patrimônio

Na imobiliária pequena, essas três colunas moram na mesma pessoa. O dono é o gestor e também é o corretor que mais vende. Funciona até certo ponto: quando o quadro passa de seis ou oito corretores, o dia não cabe mais, e a primeira coisa que é abandonada costuma ser a coluna do meio.

Esse é o momento clássico de contratar (ou promover) um gestor. O sinal não é o faturamento, é o calendário: quando o dono passa a semana inteira apagando incêndio de atendimento e não sobra nenhuma hora para olhar número, a operação já pediu a separação.

Quanto ganha um gestor imobiliário

As fontes públicas consultadas em agosto de 2026 colocam o cargo numa faixa larga: de cerca de R$ 2,3 mil a R$ 12 mil por mês, com as médias de cada base entre R$ 4,1 mil e R$ 7,4 mil.

Não existe um valor único, e a razão é estrutural: o salário do gestor de imobiliária é composto, e a parcela variável costuma pesar tanto quanto o fixo.

As bases também divergem bastante entre si, e a divergência já é informativa. A tabela traz o que cada uma informa e, principalmente, qual cargo foi pesquisado em cada caso.

Fonte consultada Cargo pesquisado Valor mensal informado
Portal Salário, dados do CAGED de 07/2025 a 06/2026 Gerente de vendas, CBO 1423-20 (todos os setores), 63.761 profissionais CLT Média de R$ 6.905, piso de R$ 2.310 e teto de R$ 11.823
Indeed Brasil, atualizado em 31/07/2026 Gerente imobiliário, 82 salários informados Média de R$ 7.366, com relatos indo de R$ 2.635 a R$ 20.587
Jooble, consulta de 05/08/2026 Gerente imobiliário, 263 salários informados Média de R$ 4.243
Catho Gerente imobiliário Média de R$ 4.077
WageIndicator, referência de 2026 Agentes imobiliários e administradores de propriedades Faixa de R$ 2.695 a R$ 12.072
Portal Salário, CAGED de 07/2025 a 06/2026 (linha de comparação) Corretor de imóveis, CBO 3546-05, 3.881 profissionais CLT Média de R$ 2.420, piso de R$ 1.924 e teto de R$ 3.379

Duas ressalvas para ler essa tabela sem se enganar. A primeira: não existe CBO específico de gerente de imobiliária, então a linha do CAGED usa "gerente de vendas", que cobre o comércio inteiro, como aproximação formal do cargo.

A segunda: a última linha não é salário de gestor, é do corretor com carteira assinada, e está ali só como régua. Ela mostra o tamanho do degrau entre atender a própria carteira e responder pelo resultado do time.

Valores acima do teto da tabela existem, quase sempre em rede grande, incorporadora ou operação de alto padrão, e quase sempre com o variável carregando o pacote.

Por que as fontes discordam tanto

Três motivos explicam quase toda a diferença. O primeiro é a amostra: bases alimentadas por registro formal (como o CAGED) enxergam só quem é CLT, e boa parte do mercado imobiliário trabalha como pessoa jurídica ou associado.

O tamanho da amostra também pesa. O CAGED cobre dezenas de milhares de vínculos, enquanto as bases de vagas trabalham com dezenas ou poucas centenas de salários autodeclarados, que oscilam de um mês para o outro.

O segundo motivo é o que entra na conta. Algumas bases capturam só o fixo declarado em carteira; outras somam o variável reportado por quem responde ao questionário. Sob o mesmo rótulo de "gerente imobiliário", uma base fecha em R$ 4,1 mil e outra em R$ 7,4 mil.

O terceiro é o cargo. "Gerente imobiliário" na base de vagas inclui gente que gerencia carteira de imóveis, gente que gerencia crédito e gente que gerencia equipe de corretores. São rotinas e remunerações diferentes com o mesmo rótulo.

Como o pacote é montado na prática

Fora das bases de salário, o desenho que aparece na maioria das imobiliárias tem três camadas.

  • Fixo: costuma ser modesto em relação ao total. Serve para estabilizar a vida do gestor, não para remunerar o resultado.
  • Variável sobre a produção da equipe: um percentual sobre a comissão que a imobiliária recebe do time inteiro, ou um valor por meta batida. É a camada que faz o pacote crescer.
  • Bônus e produção própria: prêmio por meta trimestral, por captação, por resultado de filial, e em muitos casos a comissão dos negócios que o próprio gestor ainda fecha.

Essa terceira camada é a mais delicada do cargo. O gestor que continua vendendo tem renda maior no curto prazo e um conflito permanente: cada hora dedicada ao próprio negócio é uma hora que não foi para o time.

Imobiliária de bairro

Fixo baixo, variável alto e produção própria relevante. O gestor acumula funções e a renda oscila junto com o mês da empresa.

Rede ou incorporadora

Fixo maior, variável estruturado por meta e indicador, e menos espaço para vender por conta própria. Renda mais previsível, cobrança mais formal.

O que faz o número subir

Alguns fatores explicam quase toda a distância entre o piso e o teto: tamanho da equipe sob responsabilidade, ticket médio do produto (lançamento e alto padrão pagam mais que locação residencial), praça, número de filiais e se o gestor responde por locação, por vendas ou pelos dois.

Um fator menos óbvio pesa muito na negociação: quem chega com histórico documentado de indicadores (conversão antes e depois, tempo de resposta, giro de equipe) negocia melhor do que quem chega contando que "o time vendia bem".

Composição da remuneração de um gestor de imobiliária entre fixo, variável e bônus por meta
O fixo estabiliza, o variável sobre a equipe define o tamanho do pacote.

Gestor imobiliário precisa de CRECI?

Depende do que a pessoa efetivamente faz. A resposta está na Lei 6.530/1978, que regulamenta a profissão de corretor de imóveis, e ela separa duas situações.

O art. 3º diz que compete ao corretor de imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo ainda opinar quanto à comercialização imobiliária. O parágrafo único estende essa atribuição às pessoas jurídicas inscritas nos termos da lei.

Ou seja: se o gestor atende cliente, negocia, apresenta imóvel e participa do fechamento, ele está intermediando, e intermediar exige inscrição no CRECI.

O art. 6º cuida da empresa. Ele coloca a pessoa jurídica inscrita no CRECI sujeita aos mesmos deveres e direitos da pessoa física, e o parágrafo 1º exige que essa pessoa jurídica tenha como sócio, gerente ou diretor um corretor de imóveis individualmente inscrito.

A redação importa: são três hipóteses alternativas. Basta que um corretor inscrito seja sócio da empresa, sem precisar ocupar a gerência ou a diretoria. O Decreto 81.871/1978, que regulamenta a lei, usa a expressão mais estreita "sócio-gerente ou diretor", e é dela que vem boa parte da confusão no mercado.

Na prática, isso resolve as três situações comuns:

  • Gestor que também vende: precisa de CRECI, porque está exercendo intermediação.
  • Gestor que é sócio, gerente ou diretor da imobiliária: a lei exige que a empresa tenha em uma dessas posições um corretor inscrito, então o registro entra na conta da estrutura societária.
  • Gestor puramente administrativo: coordena equipe, treina, monta relatório e não intermedia. Aqui a lei não impõe o registro de forma direta, mas a maioria das vagas pede assim mesmo.

Vale registrar o motivo prático dessa exigência informal nas vagas: sem CRECI, o gestor não pode cobrir plantão, não pode assumir um atendimento travado e não pode assinar nada. Numa equipe pequena, isso o torna metade de um gestor.

Como se tornar gestor imobiliário

Quase ninguém entra em imobiliária já como gestor. O caminho comum tem três degraus, e cada um cobra uma competência que o degrau anterior não cobrava.

Degrau 1: corretor sênior

É onde o profissional prova que sabe vender com consistência, não em um mês bom. A cobrança aqui é individual: carteira própria, captação, relacionamento e domínio da região.

Sinal de que o degrau está maduro: o corretor consegue explicar por que vendeu, e não só quanto vendeu. Quem sabe descrever o próprio processo consegue ensiná-lo depois. Quem vende por instinto raramente vira bom gestor.

Degrau 2: coordenador de equipe

A coordenação é o degrau que mais reprova gente boa. O coordenador continua com meta própria e ganha um pedaço de time para acompanhar, normalmente três a seis pessoas.

É aqui que aparece a primeira mudança de identidade: parar de ser o melhor vendedor da sala e começar a ser quem faz os outros venderem. Muita gente não gosta da troca, e não há problema nenhum nisso: corretor sênior de carteira madura pode ganhar mais que um coordenador.

O que se cobra: acompanhar atendimento dos outros sem tomar o negócio para si, dar feedback com dado na mão e conduzir a primeira conversa difícil sobre desempenho.

Degrau 3: gestor

No degrau de gestor, a meta própria some (ou vira acessória) e a régua passa a ser o resultado do conjunto. Muda a natureza do trabalho: menos execução, mais decisão sobre regra, escala, orçamento e gente.

O que se cobra a mais: leitura de indicador, previsão de fechamento que se confirma, controle de custo de aquisição de lead, condução de reunião e defesa de números diante do dono.

Formação ajuda, mas não é o filtro. Cursos de gestão comercial, gestão de negócios imobiliários e pós em mercado imobiliário aparecem com frequência nas vagas, e o CRECI ativo continua sendo o item mais pedido.

O degrau seguinte: o gestor que vira dono

Uma parte relevante dos gestores imobiliários termina abrindo a própria imobiliária. Faz sentido: o cargo já ensinou a parte mais difícil, que é fazer outras pessoas venderem, e a essa altura o profissional costuma ter carteira, reputação na praça e time disposto a acompanhar.

O que muda é a coluna da direita da tabela lá de cima: folha, aluguel, imposto, contrato de portal e risco no próprio bolso.

Quem entende como abrir uma imobiliária antes de pedir demissão descobre cedo que a conta do negócio é diferente da conta da comissão. O primeiro ano se decide no fluxo de caixa, não na venda.

As 5 dores de todo gestor de imobiliária

Independente do tamanho da operação, cinco problemas aparecem em praticamente toda imobiliária. Eles não têm solução mágica, mas têm um padrão claro do que funciona.

1. O corretor que não registra o atendimento

É a dor número um, e ela não é de preguiça: é de incentivo. O corretor sente que registrar serve para ser vigiado, e não para vender mais.

Cobrar registro sem devolver nada em troca não sustenta o hábito por mais de duas semanas. O que funciona é o registro passar a valer alguma coisa para quem registra: lembrete automático de follow-up, histórico que evita perguntar duas vezes a mesma coisa ao cliente e regra clara de que lead sem registro volta para a fila.

A parte incômoda é que essa regra só é levada a sério se for aplicada na primeira vez que o corretor bom da casa a descumprir. Se abrir exceção para ele, acabou.

2. O lead que cai na mão errada

Um lead de imóvel de alto padrão que cai para quem nunca vendeu alto padrão custa duas vezes: perde-se a venda e perde-se o dinheiro do anúncio que trouxe aquele contato.

Os gestores que resolvem isso param de tratar a distribuição como questão de justiça e passam a tratá-la como questão de conversão. Na prática, isso significa segmentar a regra por tipo de produto e por faixa de valor, e revisar essa regra com dado, não com reclamação.

Junto vem o segundo ajuste: prazo de resposta. Lead parado sem atendimento por algumas horas volta para a fila automaticamente. É a regra mais impopular e a que mais muda o número no fim do mês.

Distribuição de leads entre corretores e escala de plantão organizada por um gestor de imobiliária
Distribuição é decisão de conversão, não de justiça: lead certo na mão certa.

3. A previsão de fechamento que não se confirma

Todo gestor já apresentou ao dono uma previsão de oito fechamentos e entregou três. O problema quase nunca é mentira: é critério.

Quando "quente" é um sentimento do corretor, a previsão vira soma de otimismos. Quando cada etapa tem um critério objetivo (visita realizada, proposta formalizada, documentação em análise), a previsão passa a errar dentro de uma margem aceitável.

O ajuste que mais funciona é simples e desconfortável: negócio sem próximo passo agendado não conta na previsão. Nenhum. Isso costuma derrubar a previsão do mês na primeira reunião e acertá-la nos meses seguintes.

4. O relatório montado na mão

Muito gestor ainda passa a sexta-feira consolidando planilha para apresentar na segunda. O custo não é só o tempo: é que o número chega velho demais para mudar alguma coisa.

Relatório manual também é frágil por natureza. Ele depende de quem consolidou, muda de formato quando muda a pessoa e some quando o autor sai de férias.

Quem já passou por essa dor costuma escolher a ferramenta pelo relatório que ela entrega pronto, e não pela lista de recursos. É o mesmo critério que o guia do melhor CRM imobiliário usa para comparar as opções.

A lógica é direta: funil bonito na tela não resolve nada se o gestor continua exportando tudo para montar o número na mão.

5. A equipe que só trabalha o lead quente

Corretor bom tende a concentrar energia em quem responde rápido e tem urgência. É racional no curto prazo e destrói a base no médio.

A maior parte dos contatos que chega não compra nos próximos trinta dias, mas compra em algum momento. Sem uma rotina de reaquecimento, essa base vira custo puro: pagou-se pelo lead e ele foi usado uma vez.

O que os melhores fazem é separar duas rotinas com regras diferentes: atendimento imediato para quem está no prazo de decisão e cadência longa (contato periódico, com motivo, sem pressão) para o resto. Misturar as duas na mesma agenda garante que a segunda nunca aconteça.

As ferramentas que o cargo exige

O que aparece na lista abaixo não é sobre preferência de ferramenta, é sobre o que o cargo cobra. Um gestor que não consegue responder essas perguntas em minutos passa o mês reagindo, e não dirigindo.

  • Quanto tempo cada lead esperou pela primeira resposta, por corretor e por origem.
  • Quantos negócios existem em cada etapa do funil e quantos estão parados há mais tempo que o aceitável.
  • De onde vem o lead que vira venda, para decidir onde colocar (e de onde tirar) verba de anúncio.
  • Qual regra distribuiu cada lead e o que aconteceu depois, para ajustar a regra com dado.
  • Quanto cada corretor tem a receber e por qual negócio, sem conferência manual.
  • O relatório do mês pronto, sem depender de alguém consolidar planilha na sexta.

Essas seis respostas são justamente o que um sistema de gestão imobiliária centraliza: cadastro de imóvel, funil, distribuição de leads, agenda, comissionamento e relatório no mesmo lugar, alimentados pelo mesmo registro que o corretor já faz no atendimento.

A parte que costuma ser subestimada é a adoção. Ferramenta que o corretor não usa não gera indicador, e indicador incompleto é pior que indicador nenhum, porque dá confiança falsa numa decisão errada.

Por isso, a primeira responsabilidade do gestor com qualquer ferramenta não é escolher: é garantir que o registro entre no fluxo natural do atendimento, e não como uma tarefa extra no fim do dia.

Perguntas frequentes

O que é um gestor imobiliário?

É o profissional que responde pelo resultado comercial de uma imobiliária. Ele define as metas, distribui os leads, monta a escala de plantão, acompanha os indicadores da equipe e presta contas ao dono.

O cargo aparece com nomes diferentes na mesma cadeira: gestor de imobiliária, gerente comercial, coordenador de equipe, gerente de vendas e locação. A rotina muda pouco de um título para o outro.

A diferença para o corretor é o escopo. O corretor responde pela própria carteira; o gestor responde pelo conjunto. Ele não vende no lugar do time, ele faz o time inteiro vender.

Qual o salário de um gestor imobiliário?

As fontes públicas consultadas em agosto de 2026 apontam uma faixa larga, de aproximadamente R$ 2,3 mil a R$ 12 mil por mês, com as médias de cada base entre R$ 4,1 mil e R$ 7,4 mil.

Nos dados do CAGED, usando gerente de vendas como aproximação formal (não existe CBO de gerente de imobiliária), a média é de R$ 6.905 e o teto de R$ 11.823. Nas bases de vagas, o mesmo rótulo de "gerente imobiliário" aparece de R$ 4.077 na Catho a R$ 7.366 no Indeed.

A diferença se explica pela composição: o pacote costuma somar um fixo modesto, um variável sobre a produção da equipe e bônus por meta. Tamanho do time, ticket médio do produto e praça mudam bastante o total.

Como se tornar um gestor imobiliário?

O caminho mais comum tem três degraus: corretor sênior, coordenador de equipe e gestor. Cada degrau cobra uma competência que o anterior não cobrava.

No primeiro, o profissional prova que vende com consistência e sabe explicar por que vendeu. No segundo, ganha um pedaço de time para acompanhar sem tomar o negócio para si. No terceiro, a meta própria some (ou vira acessória) e a régua passa a ser o resultado do conjunto.

O mercado cobra experiência comercial no setor, CRECI ativo na maioria das vagas, leitura de indicador e capacidade de conduzir equipe. Formação em gestão comercial, administração ou negócios imobiliários ajuda na seleção, principalmente em rede grande, mas raramente substitui histórico de resultado com equipe.

O papel legal do gestor imobiliário?

A lei não cria um cargo chamado gestor imobiliário: o que ela regula é a intermediação. Pela Lei 6.530/1978, art. 3º, compete ao corretor de imóveis intermediar compra, venda, permuta e locação de imóveis, e essa atribuição também pode ser exercida por pessoa jurídica inscrita nos termos da lei.

Na prática, o gestor que atende cliente, negocia e participa do fechamento está intermediando, e a intermediação exige inscrição no CRECI. Já o gestor puramente administrativo, que coordena, treina e monta relatório sem intermediar, não tem exigência direta na lei, embora a maioria das vagas peça o registro assim mesmo.

Do lado da empresa, o art. 6º sujeita a pessoa jurídica inscrita aos mesmos deveres e direitos da pessoa física, e o parágrafo 1º exige que ela tenha como sócio, gerente ou diretor um corretor de imóveis individualmente inscrito. São três hipóteses alternativas: basta que um corretor inscrito ocupe uma delas.

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