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Corretor de Imóveis: o que faz, quanto ganha e como se tornar

17 Jun 2026 ~12 min de leitura 1.807 visualizações
Corretor de Imóveis: o que faz, quanto ganha e como se tornar

A profissão de corretor de imóveis explicada sem mito: o que faz no dia a dia, quanto ganha de verdade (salário e comissão), como se tornar e qual modelo de atuação escolher.

Poucas profissões no Brasil têm a fama de unir liberdade e bons ganhos como a de corretor de imóveis. E poucas também são tão mal explicadas. Por aí você encontra desde quem promete renda fácil de cinco dígitos no primeiro mês até quem repete, sem checar, que a comissão "é tabelada pelo CRECI". Os dois extremos atrapalham quem está decidindo se entra na carreira.

Este guia faz o caminho do meio, com dados reais. Você vai entender o que o corretor realmente faz no dia a dia, quanto ganha de verdade (separando salário de comissão, com a fonte oficial), como a comissão funciona depois que a tabela obrigatória caiu em 2018, e o passo a passo honesto para se tornar um corretor regularizado.

O que faz um corretor de imóveis

O corretor de imóveis é o profissional que intermedeia a compra, a venda e a locação de imóveis. Na prática, ele conecta quem quer vender ou alugar a quem quer comprar ou morar, cuidando para que o negócio aconteça de forma segura, legal e justa para os dois lados.

É uma profissão regulamentada por lei. Só pode exercer quem tem registro no CRECI, o que diferencia o corretor de um simples "indicador" de imóveis. Essa responsabilidade legal é justamente o que dá segurança ao cliente.

As funções do corretor de imóveis no dia a dia

As 7 funções do dia a dia

A rotina vai muito além de "mostrar casa". O trabalho de um corretor costuma girar em torno de sete frentes:

  • Captação: encontrar imóveis para vender ou alugar e fechar a autorização com o proprietário. É a matéria-prima do corretor, sem carteira de imóveis, não há o que negociar.
  • Avaliação: estimar o preço justo do imóvel com base no mercado, na localização e nas condições do bem, evitando que ele fique parado por estar caro ou que o dono perca dinheiro por estar barato.
  • Documentação: conferir matrícula, certidões e a situação do imóvel e das partes, antecipando problemas que travariam o negócio no cartório.
  • Divulgação: anunciar em portais, redes sociais e na carteira de clientes, com boas fotos e descrição honesta.
  • Visitas: apresentar o imóvel, entender o que o cliente procura e qualificar quem tem real interesse e condição de compra.
  • Negociação: aproximar as expectativas de preço e condições das duas partes até chegar a um acordo.
  • Pós-venda: acompanhar a assinatura, o financiamento, o pagamento do ITBI e o registro, e manter o relacionamento para indicações futuras.

Duas dessas frentes definem quem cresce na carreira: a captação de imóveis, que garante o estoque de negócios, e a organização do atendimento num funil de vendas, que evita perder cliente por falta de acompanhamento.

O que o corretor não pode fazer

A regulamentação também marca limites. O corretor não pode lavrar escrituras (isso é do tabelião), não pode dar parecer jurídico no lugar de um advogado e não pode atuar sem registro ativo no CRECI. Anunciar imóvel sem autorização do proprietário ou prometer condições que não existem também são condutas que geram problema com o conselho.

Como é a rotina na prática

Não existe um único modelo. Há corretor que trabalha em plantão de lançamento, há quem foque em locação, quem se especialize em alto padrão e quem atenda só uma região. O que se repete é a divisão do tempo entre prospecção (gerar novos contatos e captar imóveis), atendimento (visitas e negociação) e bastidor (documentação e organização). Quem equilibra os três tende a ter resultado mais previsível.

Quanto ganha um corretor de imóveis: salário e comissão

Quanto ganha um corretor de imóveis

Aqui mora a maior confusão. A resposta honesta é: depende, e depende de duas coisas que quase nunca são separadas, o salário fixo e a comissão.

Salário fixo x comissão

A maioria dos corretores não tem salário fixo. Eles vivem de comissão, ou seja, ganham um percentual sobre cada negócio fechado. Por isso o "salário de corretor" varia tanto de um mês para o outro.

Existe, sim, um piso para quem é contratado em regime CLT. Segundo os dados oficiais do CAGED, registrados sob o código da profissão (CBO 354605), em 2026 a faixa de carteira assinada fica assim:

Referência (CLT, CAGED 2026)Valor mensal
Piso salarialR$ 1.918,44
Média nacionalR$ 2.339,21
Teto da faixa CLTR$ 3.248,52

Mas atenção: esses números valem só para o vínculo CLT e não contam a comissão, que costuma ser a maior parte do ganho. Por isso o piso oficial diz muito pouco sobre quanto um corretor ativo realmente leva para casa.

Faixas de ganho por nível de experiência

Somando salário e comissão, a renda real varia conforme o tempo de estrada, o tíquete médio dos imóveis e o volume de negócios. As faixas abaixo são uma referência de mercado, não uma regra, e mudam bastante por região:

NívelFaixa de renda mensal (estimativa)
Iniciante (até 2 anos)R$ 2.000 a R$ 3.500
Intermediário (2 a 5 anos)R$ 4.000 a R$ 8.000
Experiente / alta performanceR$ 10.000 a R$ 15.000 ou mais

Os valores são estimativas de mercado e oscilam com o momento econômico. Um corretor de imóveis de alto padrão em capital pode superar com folga o topo da tabela, enquanto outro, em início de carreira ou região de tíquete baixo, pode ficar abaixo do piso em meses fracos.

Quanto ganha o corretor iniciante

O começo costuma ser o período mais duro. Sem carteira de clientes e sem imóveis captados, o iniciante depende de leads da imobiliária e de muito volume de atendimento. É realista esperar uma renda instável nos primeiros meses, com a média subindo à medida que a carteira amadurece. Quem trata o início como construção, e não como salário garantido, sofre menos.

Comissão de corretor: como funciona

Esta é a parte que mais gera mito. Vamos pela informação correta.

A comissão não é mais tabelada (e isso mudou em 2018)

Você vai ler em muito lugar que "a comissão é tabelada pelo CRECI". Isso está desatualizado. Em 14 de março de 2018, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) homologou um acordo com o COFECI no qual o conselho se comprometeu a revogar todas as tabelas que fixavam valores mínimos e máximos de comissão. O COFECI ainda pagou uma contribuição de R$ 75 mil.

Na prática, as tabelas deixaram de ser obrigatórias e passaram a ser apenas referenciais. Ou seja, a comissão é livremente negociada entre o corretor e o cliente. Os CRECIs até publicam tabelas de honorários, mas como sugestão, sem poder de obrigar ninguém a cobrar aquilo. Quem afirma que existe um percentual obrigatório está repetindo uma regra que caiu há anos.

As faixas usuais de comissão

Sem tabela obrigatória, o que existe são percentuais habituais de mercado, usados como ponto de partida na negociação. Os mais comuns:

Tipo de transaçãoComissão usual (referência de mercado)
Venda de imóvel urbanoem torno de 6% (faixa de 6% a 8%)
Venda de imóvel rural8% a 10%
Locação (contrato anual)o equivalente ao primeiro aluguel
Locação por temporadade 10% a 30% do valor
Venda em leilão ou judicialem torno de 5%

São apenas referências. Desde 2018, não há percentual obrigatório, e o valor final depende do acordo entre as partes, da complexidade do negócio e da região.

Como a comissão é dividida

Quem fica com a comissão depende do modelo de trabalho. O corretor autônomo, que fechou o negócio sozinho, recebe o valor integral. Já o corretor associado a uma imobiliária divide a comissão com a empresa, em troca de estrutura, marca, leads e respaldo. A divisão varia muito de contrato para contrato, e pode ainda ser repartida entre o corretor que captou o imóvel e o que vendeu.

Um exemplo de cálculo

Imagine a venda de um imóvel de R$ 500.000 com comissão de 6%. A comissão total é de R$ 30.000. Se o corretor é autônomo e fechou sozinho, leva os R$ 30.000. Se é associado a uma imobiliária com divisão de 50%, fica com R$ 15.000, e a imobiliária com os outros R$ 15.000. Se ainda houver um corretor de captação e outro de venda, esse valor é repartido de novo conforme o combinado.

Como se tornar corretor de imóveis: formação e registro no CRECI

Como se tornar corretor de imóveis

A boa notícia é que o caminho é mais curto que o de muitas profissões regulamentadas. A exigência principal é a formação técnica e o registro.

Os requisitos básicos

Para ingressar, é preciso ter no mínimo 18 anos e ensino médio completo. A base legal da profissão é a Lei nº 6.530/1978, regulamentada pelo Decreto nº 81.871/1978, que definem quem pode atuar e em quais condições.

A formação obrigatória

Não basta querer vender imóvel. É obrigatório concluir uma formação reconhecida na área, que pode ser o curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI), com duração média de um ano, ou um curso superior em Gestão Imobiliária, mais longo. Antes de se matricular, vale confirmar se a instituição é credenciada, já que só formações reconhecidas habilitam o registro.

O registro no CRECI

Com o diploma em mãos, o último passo é solicitar o registro no CRECI do seu estado, que é o que autoriza o exercício legal da profissão. Esse registro, suas etapas, custos e a anuidade têm regras próprias e merecem um guia à parte. Se você está nesse ponto, veja o passo a passo completo em o que é o CRECI e como tirar o registro.

Autônomo, associado ou CLT: qual modelo escolher

Depois de registrado, o corretor decide como vai atuar. Existem três modelos principais, cada um com sua troca entre autonomia, segurança e ganho:

ModeloVínculoSalário fixoComissãoAutonomia
AutônomoSem vínculo empregatícioNão temIntegralTotal (e risco total)
Associado a imobiliáriaParceria, sem CLTNão temDividida com a imobiliáriaAlta, com apoio de estrutura e leads
Contratado (CLT)Empregado com carteiraTem (piso da categoria)Menor, somada ao fixoMenor, com direitos trabalhistas

Não existe modelo melhor, existe o melhor para o seu momento. O iniciante costuma se beneficiar da estrutura de uma imobiliária, enquanto o corretor com carteira formada tende a ganhar mais como autônomo. Há ainda quem evolua e decida abrir a própria imobiliária.

Habilidades de um bom corretor

Conhecimento técnico abre a porta, mas o que sustenta a carreira é um conjunto de habilidades práticas:

  • Comunicação e escuta: entender o que o cliente realmente precisa vale mais que falar bem.
  • Conhecimento de mercado: saber preço, bairro e tendência transmite segurança e fecha negócio.
  • Organização: acompanhar muitos clientes ao mesmo tempo sem perder o ponto da negociação.
  • Persistência: a venda imobiliária tem ciclo longo, e desistir cedo é o erro mais comum do iniciante.
  • Ética e transparência: a reputação é o ativo mais valioso de quem vive de indicação.
  • Marketing pessoal: presença digital e boa imagem hoje pesam tanto quanto a indicação boca a boca.

Mercado e perspectivas para 2026

A profissão segue ativa e em transformação. O cliente chega cada vez mais informado, já tendo pesquisado em portais e redes sociais antes de falar com o corretor. Isso muda o papel do profissional, que deixa de ser apenas quem mostra o imóvel para ser um consultor, capaz de orientar sobre preço, documentação e financiamento.

Ganha espaço quem domina ferramentas digitais, organiza o atendimento e se especializa em um nicho, seja alto padrão, locação, lançamentos ou uma região específica. A tecnologia não substitui o corretor, mas separa quem se atualiza de quem fica para trás. Como em toda atividade de comissão, não há renda garantida, e o resultado acompanha a consistência do trabalho.

Perguntas frequentes

Precisa de faculdade para ser corretor de imóveis?

Não necessariamente. Basta ter 18 anos, ensino médio completo e concluir o curso Técnico em Transações Imobiliárias (TTI), que tem cerca de um ano. O curso superior em Gestão Imobiliária é uma opção, mas não é obrigatório.

Quanto tempo leva para se tornar corretor?

Pelo caminho mais comum, o do curso técnico (TTI), em torno de um ano, somado ao tempo de tirar o registro no CRECI. É mais rápido que a maioria das profissões regulamentadas.

Quanto ganha um corretor de imóveis iniciante?

Como a renda é majoritariamente por comissão, o iniciante costuma ficar entre R$ 2.000 e R$ 3.500 por mês, com bastante variação. Os primeiros meses tendem a ser instáveis até a carteira de clientes amadurecer.

A comissão de corretor é tabelada?

Não. Desde o acordo entre CADE e COFECI, em 14 de março de 2018, as tabelas com valores mínimos e máximos foram revogadas. A comissão passou a ser referencial e livremente negociada entre corretor e cliente.

Qual é a comissão padrão numa venda?

A referência de mercado mais comum é em torno de 6% sobre o valor do imóvel urbano. Mas é só uma referência: desde 2018 não há percentual obrigatório, e o valor depende da negociação.

Corretor de imóveis tem salário fixo?

Só quem é contratado em regime CLT, com o piso da categoria. A maioria atua por comissão, como autônomo ou associado a uma imobiliária, sem salário fixo.

Corretor pode trabalhar sozinho, como autônomo?

Sim. Com o registro ativo no CRECI, o corretor pode atuar como autônomo e ficar com a comissão integral dos negócios que fechar, assumindo também todo o custo e o risco do próprio trabalho.

Vale a pena ser corretor de imóveis em 2026?

Pode valer para quem gosta de relacionamento, vendas e tem disciplina para um trabalho de renda variável. É uma carreira de teto alto e início difícil. Quem busca estabilidade imediata de salário fixo tende a se frustrar nos primeiros meses.

Dá para ser corretor sem experiência em vendas?

Dá. Muitos corretores vêm de outras áreas. A habilidade de vendas se desenvolve com prática e estudo, e a estrutura de uma imobiliária ajuda o iniciante a aprender o processo com menos risco.

Preciso do CRECI para trabalhar?

Sim, o registro ativo no CRECI é obrigatório para exercer a profissão de forma legal. Sem ele, a intermediação imobiliária é irregular. Veja como funciona em o que é o CRECI.

Fontes e referências

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