Amortizar todo mês ou uma vez por ano? A conta com número, quanto custa cada mês de espera, a melhor data para amortizar e por que a resposta muda conforme o contrato seja Price ou SAC.
Amortizar o financiamento todo mês ou juntar o dinheiro e aportar uma vez por ano? Todo mês ganha, desde que o dinheiro guardado não renda mais que a taxa do seu contrato. E raramente rende.
Essa pergunta tem respostas contraditórias circulando, e nenhuma vem com conta. Por isso aqui vai a simulação inteira: premissas, saldo mês a mês e o ponto em que a conclusão se inverte.
No contrato simulado aqui, quem amortiza R$ 500 por mês quita 3 meses antes e paga R$ 8.955 a menos ao banco que quem guarda os mesmos R$ 500 na conta e aporta R$ 6.000 em dezembro. O esforço mensal é idêntico nas duas.
E há uma segunda variável que quase ninguém considera: o seu contrato é Price ou SAC? No Price, reduzir o prazo em vez da parcela rende 4,3 vezes mais, contra 1,9 vez no SAC.
É melhor amortizar todo mês ou por ano?
A dúvida aparece assim: sobra um valor todo mês, e a pessoa não sabe se joga no financiamento na hora ou se guarda para um aporte maior em dezembro, junto com o 13º.
As respostas mais comuns se dividem em duas, e elas se contradizem. Uma diz que amortizar todo mês é melhor porque o saldo cai antes. A outra diz que juntar e aportar um valor maior de uma vez economiza mais.
As duas estão parcialmente certas, e a variável escondida é uma só: quanto o dinheiro rende enquanto espera. Vamos abrir a conta.
As premissas da simulação
Todos os números deste guia saem do mesmo contrato, para você poder conferir: saldo devedor de R$ 250.000, taxa efetiva de 11% ao ano (0,8735% ao mês), 300 meses restantes, sistema Price, prestação de R$ 2.357,15, sempre reduzindo o prazo.
A simulação usa a matemática financeira padrão, sem seguros nem correção do saldo pela TR. Troque a taxa e o prazo pelos do seu contrato e o mecanismo continua o mesmo.
A demonstração mês a mês
O mecanismo cabe em uma frase: dinheiro guardado na conta não abate saldo devedor, e o juro do financiamento continua correndo sobre o saldo cheio o ano inteiro.
Veja o saldo devedor das duas estratégias nos 12 primeiros meses, com R$ 500 mensais:
| Mês | Saldo amortizando todo mês | Saldo guardando para dezembro | Diferença de saldo |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 249.326 | R$ 249.826 | R$ 500 |
| 3 | R$ 247.962 | R$ 249.475 | R$ 1.513 |
| 6 | R$ 245.870 | R$ 248.936 | R$ 3.066 |
| 9 | R$ 243.722 | R$ 248.383 | R$ 4.660 |
| 12 | R$ 241.518 | R$ 241.815 | R$ 297 |
Durante onze meses, quem guardou carregou um saldo devedor até R$ 4.660 maior, pagando juros sobre essa diferença todos os meses.
No mês 12 o aporte único quase iguala os saldos, a diferença cai para R$ 297. Mas os juros pagos a mais durante os onze meses de espera já saíram da conta e não voltam.
Estendendo até o fim do contrato, com o mesmo esforço mensal (prestação mais R$ 500), quem amortiza todo mês quita em 167 meses e quem guarda quita em 170.
Em dinheiro, o total pago ao banco é de R$ 474.762 amortizando todo mês contra R$ 483.717 guardando. Como o principal é o mesmo R$ 250.000 nos dois casos, essa diferença de R$ 8.955 é juro puro, e é a métrica que este guia usa do início ao fim.
O único caso em que guardar e aportar por ano ganha
Existe, e é onde a outra resposta acerta: se o dinheiro guardado estiver rendendo, ele passa a competir de igual para igual com o financiamento.
Pegue os R$ 500 que sobraram em janeiro e pergunte quanto eles valem em dezembro, na hora do aporte anual:
| Destino dos R$ 500 que sobraram em janeiro | Quanto valem 11 meses depois |
|---|---|
| Amortizados agora (em juros que deixam de correr) | R$ 550,19 |
| Guardados na conta corrente, sem render | R$ 500,00 |
| Guardados rendendo 8% ao ano líquido | R$ 536,55 |
| Guardados rendendo 11% ao ano líquido | R$ 550,19 |
| Guardados rendendo 14% ao ano líquido | R$ 563,81 |
O empate é exato quando o rendimento líquido iguala a taxa do contrato, aqui os 11% ao ano. E não é aproximação: amortizar R$ 1 hoje vale exatamente o mesmo que guardar R$ 1 rendendo a taxa do contrato, para qualquer prazo de espera.
A razão é que amortizar é aplicar à taxa do contrato: guardar em vez de amortizar é a mesma decisão que investir em vez de amortizar, disfarçada de pergunta sobre frequência.
Então a regra fica simples: guardar só ganha se o dinheiro render, já líquido de imposto, mais que a taxa do seu financiamento. Nem um pouco menos. E dinheiro parado na conta corrente rende zero, que é como a maioria das pessoas espera dezembro chegar.
Qual a melhor estratégia para amortizar financiamento
Na prática: aporte assim que o dinheiro existir. Há dois casos em que o aporte anual não é escolha, é circunstância: quando o dinheiro cai de uma vez (13º, bônus, restituição do imposto de renda) e quando o extra mensal é pequeno e o banco exige ligação ou agência.
O resultado também não depende do tamanho da sobra. Com o dinheiro parado enquanto espera, o aporte mensal economiza de juros, contra o anual, R$ 7.625 na faixa de R$ 300 por mês, R$ 8.955 na de R$ 500 e R$ 10.274 na de R$ 1.000.
Qual é a melhor data para amortizar um financiamento?
Essa pergunta também tem respostas divergentes por aí: uns apontam o dia do vencimento da parcela, outros o dia seguinte ao débito, e outros dizem que não existe data certa porque os juros correm por dia.
Com número na mão, dá para separar as duas coisas que estão sendo confundidas: o dia do mês vale pouco, e o mês vale muito.
No contrato do exemplo, um aporte de R$ 25.000 gera R$ 218 de juros por ciclo mensal, o que dá cerca de R$ 7 por dia de espera. É o custo real de adiar dentro do mês, e é pequeno.
Já adiar o mesmo aporte em um mês inteiro custa R$ 1.310, seis vezes o juro nominal daquele mês. A diferença aparece porque um mês a mais de saldo cheio empurra o contrato inteiro para frente, e o efeito é composto até o fim.
Conclusão prática: não existe dia mágico, e ninguém deve segurar um aporte esperando a data ideal. Se você já tem o dinheiro, amortize. Para otimizar o detalhe, faça logo depois que a prestação do mês for debitada, assim o aporte pega o ciclo de juros inteiro.
Qual o melhor período para amortizar financiamento
O começo do contrato, com folga. E o custo de esperar é maior do que a intuição sugere:
| Quando o aporte de R$ 25.000 é feito | Economia de juros | Quanto se perdeu por esperar |
|---|---|---|
| Agora | R$ 195.821 | nada |
| Daqui a 1 mês | R$ 194.511 | R$ 1.310 |
| Daqui a 6 meses | R$ 188.031 | R$ 7.790 |
| Daqui a 1 ano | R$ 180.425 | R$ 15.396 |
| Daqui a 5 anos | R$ 126.195 | R$ 69.626 |
| Daqui a 10 anos | R$ 74.441 | R$ 121.380 |
| Daqui a 15 anos | R$ 38.293 | R$ 157.528 |
A razão está na composição da prestação. No Price do exemplo, a primeira parcela é 93% juros e apenas 7% amortização; na parcela 120 são 79% de juros; na 240, 41%. Nos primeiros anos você paga quase só juro, então o dinheiro extra ataca um saldo que ainda vai gerar duas décadas de cobrança.
Para quem quer amortizar é melhor SAC ou Price?
Você não escolhe o sistema na hora de amortizar, ele já vem do contrato. O que muda, e muito, é o tamanho do ganho e o peso de cada decisão.
Como saber se meu financiamento é Price ou SAC
Três formas de descobrir, da mais direta para a mais trabalhosa:
- No contrato: existe uma cláusula que nomeia o sistema de amortização. É a fonte definitiva.
- Pelo comportamento da prestação: se o valor base é igual do começo ao fim, é Price. Se cai um pouco todo mês, é SAC.
- Pelo demonstrativo de evolução do contrato: peça ao banco a planilha que abre cada parcela. Se a coluna de amortização é constante, é SAC; se começa baixa e cresce, é Price.
Um aviso: os seguros entram na prestação e têm base de cálculo própria, então a parcela de um SAC pode não cair de forma perfeitamente regular. Olhe a parcela base, não o total debitado.
É possível amortizar na Tabela Price?
Sim, e é onde a amortização rende mais. O Price é o sistema que mais acumula juros, então é o que tem mais juro disponível para eliminar.
Com o mesmo contrato e um aporte único de R$ 25.000:
| Efeito do aporte de R$ 25 mil | Price | SAC |
|---|---|---|
| Juros até o fim, sem amortizar | R$ 457.146 | R$ 328.639 |
| Economia reduzindo o prazo | R$ 195.821 | R$ 62.343 |
| Economia reduzindo a parcela | R$ 45.715 | R$ 32.864 |
| Vantagem de reduzir o prazo | 4,3 vezes maior | 1,9 vez maior |
| Meses cortados (reduzindo o prazo) | 93 meses | 30 meses |
A desvantagem do Price é exatamente essa primeira linha: como a amortização começa baixa, o saldo demora a cair e o contrato acumula bem mais juros que o SAC.
Em compensação, quem está no Price ganha mais com cada acerto. Até a vantagem do aporte mensal sobre o anual é maior lá: R$ 8.955 no Price contra R$ 4.519 no SAC, com os mesmos valores.
Vale a pena amortizar financiamento SAC?
Vale, com margens menores: o saldo já cai rápido sozinho e os últimos meses do contrato são baratos, então cortar o fim rende menos.
A contrapartida é liberdade. Como a diferença entre reduzir prazo e reduzir parcela é de 1,9 vez em vez de 4,3 vezes, quem está no SAC pode escolher a parcela num ano apertado sem sacrificar tanta economia.
Essa proporção muda conforme a taxa e o prazo restante, e contratos mais curtos estreitam bastante a diferença. Por isso a decisão só fica clara com os seus próprios números, rodados em uma calculadora de amortização de financiamento que simule o seu sistema e compare os dois cenários lado a lado.
Reduzir o prazo ou reduzir a parcela na hora de amortizar
A resposta que você já ouviu é "reduza o prazo, economiza mais juros". Está correta, mas é rasa: o que importa é quanto mais, e isso depende do contrato, como a tabela acima mostrou.
Ao reduzir o prazo, a prestação continua igual e o financiamento acaba antes. Ao reduzir a parcela, o número de meses fica o mesmo e a prestação cai, então os juros seguem sendo cobrados pelo prazo original, sobre um saldo menor.
| O que acontece (Price, aporte de R$ 25 mil) | Sem amortizar | Reduzindo o prazo | Reduzindo a parcela |
|---|---|---|---|
| Juros pagos até o fim | R$ 457.146 | R$ 261.325 | R$ 411.432 |
| Economia de juros | nenhuma | R$ 195.821 | R$ 45.715 |
| Prazo final | 300 meses | 207 meses | 300 meses |
| Prestação | R$ 2.357 | R$ 2.357 (mantém) | R$ 2.121 (cai R$ 236) |
O mesmo dinheiro, a mesma data, o mesmo contrato. A escolha entre uma coluna e outra vale R$ 150 mil aqui.
Quando reduzir a parcela é a escolha certa
Reduzir a prestação não é o erro que muita gente pinta. Ela resolve outro problema: fôlego no caixa, não economia de juros.
Faz sentido quando o financiamento está apertando o orçamento a ponto de empurrar você para o cartão ou o cheque especial no fim do mês. Nesse caso, os R$ 236 mensais valem mais que os juros futuros, porque evitam uma dívida bem mais cara agora.
O comprometimento da renda com a prestação é o mesmo indicador que o banco usa para aprovar o crédito, e a régua costuma ser de cerca de 30% da renda familiar. Uma prestação que passou desse patamar depois de uma queda de salário é o caso clássico, e as faixas por valor de imóvel estão no guia de quanto precisa ganhar para financiar um imóvel.
E você não é obrigado a escolher sempre a mesma opção: dá para reduzir a parcela num ano difícil e voltar ao prazo depois.
Porque quando amortizo aumenta o valor da parcela?
A resposta começa por um esclarecimento: a amortização em si nunca aumenta a prestação. O que aumenta são componentes que correm em paralelo e aparecem na mesma fatura.
A causa mais contraintuitiva é a correção do saldo devedor. A maioria dos contratos habitacionais é corrigida todo mês pela TR, embora existam linhas por IPCA, poupança ou taxa prefixada, já que a TR deixou de ser obrigatória no SFH em 2019.
E aqui o seu sistema decide o resultado. Na Tabela Price de prazo longo, a amortização dos primeiros anos é tão pequena que a correção supera o que você abate, e o saldo sobe em vez de cair.
No contrato deste guia, a primeira parcela abate cerca de R$ 174, ou 0,07% do saldo. Com a TR em 0,1729% ao mês, a correção seria de R$ 432, e o saldo terminaria o mês R$ 258 maior, mesmo você tendo pago em dia.
No SAC isso não acontece. A amortização é fixa em 1/n do saldo original, R$ 833 no mesmo contrato, bem acima da correção. Mas a parcela do SAC é recalculada sobre o saldo corrigido e sobre o prazo restante, então também pode subir de um mês para o outro.
As outras duas frentes são os encargos que vêm embutidos na prestação:
- Seguros MIP e DFI: o MIP (Morte e Invalidez Permanente) incide sobre o saldo devedor e usa taxa por faixa etária. Se o seu contrato prevê reenquadramento, o prêmio encarece a cada mudança de faixa; se a taxa foi fixada na assinatura, ela não muda por idade, então confira nas condições da apólice. O DFI (Danos Físicos ao Imóvel) incide sobre o valor da avaliação inicial do imóvel atualizado pelo índice convencionado, e não sobre a dívida, por isso não cai quando você amortiza. Os dois são obrigatórios pela Resolução CNSP nº 447/2022, art. 6º.
- Fim do abatimento com FGTS: quem usou o fundo na modalidade de pagar parte das prestações teve desconto de até 80% por 12 prestações. Quando o período termina, a prestação volta ao valor cheio. Não é aumento, é o fim do desconto, mas na fatura parece a mesma coisa.
A taxa de administração, ao contrário do que se costuma dizer, não entra nessa lista: ela é um valor fixo em contrato, limitado a R$ 25,00 por mês nas operações do SFH.
Existe um motivo regulatório para os seguros se moverem por conta própria: os prêmios de MIP e DFI e essas tarifas ficam de fora do teto de custo efetivo de 12% ao ano do crédito imobiliário. Eles não acompanham a taxa do seu contrato.
Se a parcela subiu logo depois de uma amortização em que você pediu redução de prazo, o diagnóstico fica mais fácil: reduzir o prazo não mexe na prestação, então a variação veio de um desses fatores.
Peça ao banco o demonstrativo de evolução do contrato. Ele abre a prestação em juros, amortização, seguros e taxa, e mostra exatamente qual linha subiu.
É melhor antecipar parcelas ou amortizar saldo devedor?
Amortizar o saldo devedor, na quase totalidade dos casos. São operações diferentes, apesar de parecerem a mesma coisa.
Antecipar parcelas é pagar prestações futuras, que já embutem os juros do período delas. Amortizar o saldo é abater o principal, e a lei garante a redução proporcional dos juros junto.
Quando não vale a pena amortizar um financiamento?
Como amortizar rende a taxa do contrato, a pergunta vira "o meu dinheiro rende mais em outro lugar?". E o rendimento tem que ser comparado já líquido de imposto.
Uma aplicação tributada com alíquota de 15% (a menor da tabela regressiva, para prazos acima de 720 dias) precisa render bem mais que a taxa do contrato só para empatar:
| Taxa efetiva do contrato | Rendimento bruto necessário para empatar (IR de 15%) | Rendimento necessário (aplicação isenta de IR) |
|---|---|---|
| 9% ao ano | 10,59% ao ano | 9% ao ano |
| 11% ao ano | 12,94% ao ano | 11% ao ano |
| 13% ao ano | 15,29% ao ano | 13% ao ano |
A conta é o rendimento bruto igual à taxa do contrato dividida por 0,85. Em aplicações isentas de imposto, bruto e líquido se confundem e a barra fica na própria taxa do contrato.
E a barra é ainda mais alta que a tabela sugere, porque o custo real do contrato não é a taxa nominal: é o CET (Custo Efetivo Total), que soma seguros, taxa de administração e correção do saldo.
As três situações em que amortizar não é a melhor escolha
Rotativo do cartão, cheque especial ou empréstimo pessoal cobram muito mais que o crédito imobiliário. Enquanto existir uma dessas, o dinheiro extra vai para lá.
Amortizar transforma dinheiro líquido em patrimônio parado. Sem reserva de emergência, o próximo imprevisto vira dívida cara e o ganho evapora.
Se uma aplicação segura entrega, líquido, mais que o CET do contrato, aplicar ganha. Compare sempre líquido contra CET, nunca bruto contra taxa nominal.
A fila que faz sentido para a maioria: rotativo do cartão, cheque especial e parcelamento de fatura primeiro; reserva de emergência depois; então empréstimo pessoal e financiamento de veículo; e só por último o imobiliário, a dívida mais barata da casa.
Pode amortizar financiamento todo mês?
Com recursos próprios, sim, e sem limite: não existe teto legal para amortizações parciais. Com FGTS, não, e é aí que a estratégia de frequência trava.
Pode amortizar financiamento da Caixa todo mês?
Com dinheiro próprio, sim, pelo próprio aplicativo do banco e sem custo. Com FGTS, existe carência: 24 meses contados da sua última amortização ou liquidação. Esse prazo vale por trabalhador, não por contrato.
Ou seja, não há amortização mensal nem anual com FGTS. Há uma a cada dois anos, e existem duas modalidades diferentes de usar o fundo:
O FGTS abate o saldo de uma vez e você escolhe reduzir prazo ou parcela. É a modalidade que economiza juros de verdade, e a que tem a carência de 24 meses.
Cobre até 80% do valor de cada prestação, por um período de 12 prestações mensais. Alivia o mês a mês, mas mexe pouco no saldo devedor.
Vale um esclarecimento, porque circula muita informação errada sobre isso: usar o FGTS nas prestações não gasta a sua vez de amortizar. São filas separadas.
O que trava é repetir a mesma modalidade. Você só pode contratar um novo período de abatimento depois que o anterior terminar, e a carência de 24 meses conta apenas da sua última amortização ou liquidação.
Ainda assim, se o objetivo é economizar juros, a modalidade certa é a amortização do saldo. O abatimento das prestações alivia o caixa do ano, mas quase não mexe no saldo devedor.
As demais condições, que valem confirmar no seu banco antes de contar com o recurso:
- Três anos de FGTS: é preciso somar pelo menos três anos de trabalho sob o regime do fundo, em períodos contínuos ou não, na mesma empresa ou em empresas diferentes.
- Estar em dia: para amortizar, as prestações precisam estar em dia na data do uso, sem exceção. Com atraso, o FGTS só entra para liquidar o contrato inteiro ou na modalidade de pagamento de prestações, que aceita até 6 vencidas dentro das 12.
- Contrato no SFH: o financiamento precisa estar enquadrado no Sistema Financeiro de Habitação. Um detalhe que muita gente erra: nas modalidades de amortização e de prestações, o teto de valor do imóvel considerado é o vigente na data da concessão do financiamento, não na data do saque, então contrato antigo continua medido pelo teto da época. As regras atuais estão no guia sobre o novo teto do financiamento imobiliário.
- Restrições de propriedade: o trabalhador não pode ser proprietário, possuidor, promitente comprador, usufrutuário ou cessionário de outro imóvel residencial, concluído ou em construção, em dois lugares: no município onde exerce a ocupação laboral principal e no município onde reside, incluindo os limítrofes e a mesma região metropolitana de cada um. Também não pode ter financiamento ativo de outro imóvel no SFH em qualquer parte do país.
A conclusão prática é organizar as duas fontes em ritmos diferentes: recursos próprios entram todo mês, e o FGTS entra a cada dois anos, quando a carência liberar.
Qual a forma correta de amortizar financiamento
Amortizar antecipadamente é um direito do consumidor, não um favor do banco. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990, art. 52, parágrafo 2º) diz que "é assegurado ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos".
Não pode haver multa, e a redução dos juros tem que ser proporcional. O passo a passo, que hoje costuma ser todo digital:
- Peça o saldo devedor atualizado no extrato do contrato. É sobre esse número que a amortização incide.
- Confirme que a operação é amortização do saldo devedor, e não antecipação de parcelas.
- Escolha o objetivo antes de confirmar: reduzir o prazo ou reduzir a parcela. É a etapa que vale dezenas de milhares de reais.
- Confira o novo demonstrativo nos dias seguintes: saldo, número de parcelas e valor da prestação precisam bater com a opção escolhida.
Fontes e referências
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), art. 52: direito à liquidação antecipada do débito com redução proporcional dos juros.
- Manual da Moradia Própria, versão 035, vigência de 02/12/2025, editado pela Caixa como agente operador do FGTS: carência entre utilizações, modalidades, condições do trabalhador e do imóvel.
- Resolução CMN nº 5.255, de 10/10/2025: teto de valor do imóvel para enquadramento no SFH, considerado na data da concessão do financiamento.
- Resolução CNSP nº 447/2022 (SUSEP): obrigatoriedade das coberturas de MIP e DFI (art. 6º), base de cálculo do DFI sobre a avaliação inicial atualizada (art. 19) e regra de taxa única ou reenquadramento por faixa etária no MIP (art. 21).
- Resolução CMN nº 4.676/2018: teto de R$ 25,00 por mês da taxa de administração no SFH (art. 14, II) e exclusão dos prêmios de seguro e dessas tarifas do teto de custo efetivo de 12% ao ano (art. 13, parágrafo 2º).
- Banco Central do Brasil, série SGS 7811: Taxa Referencial (TR) de 0,1729% no mês de julho de 2026, usada no exemplo de correção do saldo devedor.
- Banco Central do Brasil: estatísticas de taxas de juros por modalidade de crédito e conceito de Custo Efetivo Total (CET).
- Simulações deste guia: matemática financeira padrão dos sistemas SAC e Price, taxa mensal efetiva composta, conferidas mês a mês. Não incluem seguros, taxa de administração nem correção do saldo, que existem nos contratos reais. Use a simulação oficial do seu banco para os valores do seu caso.
Perguntas frequentes sobre amortização de financiamento
Qual a desvantagem do sistema Price?
A amortização começa baixa e cresce devagar, então o saldo devedor demora a cair e o contrato acumula muito mais juros que o SAC: no exemplo deste guia, R$ 457.146 contra R$ 328.639. Em troca, a prestação é fixa e começa mais baixa, o que facilita a aprovação do crédito.
Quantas vezes posso amortizar financiamento da Caixa?
Com recursos próprios não há limite legal de quantidade, e você pode alternar entre reduzir prazo e reduzir parcela a cada operação. Com o fundo, o intervalo é de dois anos entre uma amortização e a seguinte.
Posso amortizar financiamento da Caixa todo mês com FGTS?
Não. A carência é de 24 meses e acompanha o trabalhador, então nem trocar de banco nem abrir um segundo contrato zera esse relógio.
Mas atenção ao contrário disso, que costuma ser mal explicado: usar o fundo para pagar parte das prestações não consome essa vez. São filas separadas, e o que trava é repetir a mesma modalidade antes de o período anterior terminar.
SAC ou Price para quitar antecipado?
Quem está no Price tem mais a ganhar, porque tem mais juros a eliminar: o mesmo aporte economizou R$ 195.821 no Price contra R$ 62.343 no SAC. Mas o sistema não se escolhe na hora de amortizar, e sim a estratégia dentro dele.
Amortizar o financiamento tem multa?
Não pode ter. O Código de Defesa do Consumidor, no art. 52, parágrafo 2º, assegura a liquidação antecipada do débito, total ou parcial, com redução proporcional dos juros e demais acréscimos.
Existe simulador de amortização por prazo?
Sim. Ele pede o saldo devedor, a taxa efetiva do contrato, o prazo restante e o valor do aporte, e devolve quantos meses caem mantendo a prestação atual. Confira se a ferramenta permite alternar entre SAC e Price, senão o resultado pode ficar longe do seu caso.
Vale a pena amortizar no final do financiamento?
Vale, mas rende muito menos que no começo. Nos últimos anos a prestação já é quase toda amortização, então sobra pouco juro para eliminar.
No exemplo, o mesmo aporte economizou R$ 195.821 feito hoje e R$ 38.293 se fosse feito daqui a 15 anos. O momento vale mais que o valor.